Guerra e paz em Magnésia: a reflexão sobre o problema do conflito nas Leis de Platão
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Resumo
O presente artigo visa examinar a abordagem platônica do problema da guerra nas Leis, buscando observar como a crítica desenvolvida pelo protagonista desse diálogo, o Estrangeiro de Atenas, ao belicismo presente nos regimes cretense e espartano não envolve a adoção de um posicionamento político irenista. Nesse sentido, o artigo procura evidenciar como a refutação do militarismo das leis de Creta e de Esparta no contexto do livro I das Leis, com a sua consequente proposição de um modelo irênico interno baseado na efetivação da unidade cívica e na neutralização da possibilidade da guerra civil (στάσις), se coaduna, no desenvolvimento discursivo do diálogo, com o reconhecimento da inevitabilidade da guerra externa (πόλεμος), desembocando na defesa da preparação militar cívica como uma necessidade prática da pólis. Em sua conclusão, o trabalho enfatiza o caráter sofisticado e realista do ensinamento platônico delineado nas Leis a respeito da guerra, ensinamento que logra equilibrar a exigência de harmonia política interna com o pragmatismo bélico, rechaçando utopias pacifistas.
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