O spinozismo entre superstição e hiperstição: a imaginação do corte epistemológico ao corte ontoafetivo
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Resumo
Na segunda metade do século XX, alguns filósofos materialistas se voltaram para a obra de Spinoza para refundar caminhos de radicalidade. Althusser fundamenta sua teoria do corte epistemológico entre ideologia e ciência na passagem entre primeiro e segundo gêneros de conhecimento: imaginação e razão. A imaginação seria, no limite, superstição, ideologia, e a ciência deveria romper com ela. Deleuze demonstra, entretanto, o quanto a razão depende, ela mesma, da imaginação, que depende da passionalidade, dando fundamental importância à questão dos afetos alegres. O corte epistemológico supõe um corte ontológico e um corte afetivo: o que denominamos de corte ontoafetivo. Assim, a imaginação não seria apenas superstição, mas poderia ser também o que os aceleracionistas denominam de hiperstição, imaginação ativa e produtiva. É com Negri que vemos essa dimensão, em sua teoria da imaginação constituinte, em que a imaginação é o tecido social da multidão, sobre o qual ela constrói o comum.
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