A imaginação, a falta de imaginação e os acontecimentos não contados: uma leitura de Hannah Arendt e Karen Blixen
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Resumo
O artigo analisa o papel existencial da imaginação na “filosofia da narração” que Hannah Arendt identifica na obra de Karen Blixen. A partir do diagnóstico arendtiano de que a “falta de imaginação” impede que os acontecimentos e histórias de vida sejam contados, investigamos a relação entre acontecimento, imaginação e narração nas narrativas de Blixen. Ao focalizarmos o uso da imaginação em “Os sonhadores”, de Sete narrativas góticas (1934), e em A fazenda africana (1937), argumentamos que a imaginação constitui um pressuposto do storytelling, concebido como atividade humana fundamental por meio da qual se revela o sentido singular das histórias de vida e dos acontecimentos. Por fim, em diálogo com Adriana Cavarero, exploramos o alcance ético-político desta investigação ao interpretarmos “A história imortal”, de Anedotas do destino (1958), narrativa que problematiza o próprio vínculo entre narração e acontecimento.
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