Eu preferiria não: a imaginação como procedimento de linguagem
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Resumo
Esse texto ensaia um pensamento comprometido em experimentar um deslocamento na forma como a imaginação é usualmente convocada no campo educacional e curricular. Em vez de concebê-la como faculdade mental voltada à projeção de futuros, movo-me inspirada pela leitura de Gilles Deleuze da novela Bartleby, o escriturário, de Herman Melville, assumindo a fórmula “Eu preferiria não” como operador ético-político capaz de desestabilizar a gramática imperativa da linguagem pedagógica, sustentada por uma razão funcional, projetiva, teleológica. Trata-se, assim, de tensionar as formas hegemônicas de linguagem que atravessam as práticas e teorizações em educação a partir de 3 fios: (1) a recusa enigmática de Bartleby como procedimento de linguagem; (2) a crítica à gramática dos quereres que estrutura o discurso educacional; e (3) a imaginação como gagueira — uma vibração da linguagem que interrompe seus usos funcionais, abrindo espaço para outras formas de sensibilidade e escuta.
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