A sofocracia platônica em três perspectivas: República, Político e Leis Entre a participação e o pertencimento
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Resumo
Platão elege ‘a capacidade epistêmica’ como o critério valorativo para guiar a hierarquização da aristocracia concebida por ele como sendo a única forma capaz de livrar definitivamente do mal a sociabilidade humana. Sendo necessariamente dirigida por um ou poucos sábios, Platão propõe uma sofocracia como o melhor regime político possível. Trata-se de uma organização social que ao mesmo tempo é composta por diferentes classes e precisa necessariamente consistir num todo coeso que pensa e age segundo o mesmo sentido do bom, do belo e do justo. Platão desenvolve, então, em três obras – República, Político e Leis – essa mesma concepção sofocrática a partir de três perspectivas complementares sendo apresentadas respectivamente por diferentes personagens protagonistas – Sócrates, Estrangeiro de Eleia e o Ateniense. Pretendemos propor um questionamento a respeito da naturalização ainda extremamente vigente do princípio político hierárquico enquanto o único possível para se pensar a sociabilidade, não apenas humana, mas do modo mais amplo possível, incluindo no questionamento a respeito do bem-viver, todo o meio ambiente habitado pelos mais diversos seres vivos e também inanimados.
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