A sofocracia platônica em três perspectivas: República, Político e Leis Entre a participação e o pertencimento

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Izabela Bocayuva

Resumo

Platão elege ‘a capacidade epistêmica’ como o critério valorativo para guiar a hierarquização da aristocracia concebida por ele como sendo a única forma capaz de livrar definitivamente do mal a sociabilidade humana. Sendo necessariamente dirigida por um ou poucos sábios, Platão propõe uma sofocracia como o melhor regime político possível. Trata-se de uma organização social que ao mesmo tempo é composta por diferentes classes e precisa necessariamente consistir num todo coeso que pensa e age segundo o mesmo sentido do bom, do belo e do justo. Platão desenvolve, então, em três obras – República, Político e Leis – essa mesma concepção sofocrática a partir de três perspectivas complementares sendo apresentadas respectivamente por diferentes personagens protagonistas – Sócrates, Estrangeiro de Eleia e o Ateniense. Pretendemos propor um questionamento a respeito da naturalização ainda extremamente vigente do princípio político hierárquico enquanto o único possível para se pensar a sociabilidade, não apenas humana, mas do modo mais amplo possível, incluindo no questionamento a respeito do bem-viver, todo o meio ambiente habitado pelos mais diversos seres vivos e também inanimados.

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Biografia do Autor

Izabela Bocayuva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Atualmente é professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É membro do PEC - Pólo de Estudos Classicos do Estado do Rio de Janeiro. Coordena o NOESIS - Laboratório de Estudos em Filosofia Antiga da UERJ (www.noesisfilosofia.com.br) e também o Projeto de Extensão GRUPO METEORO. Em 2012 fez o Pós doutorado em Paris IV-Sorbonne sob a orientação de Barbara Cassin com o projeto "Os mitos de Platão". Fez parte do projeto CAPES/COFECUB entre os anos de 2015 e 2018 entre o Centre Léon Robin de lUniversité de Paris IV - Sorbonne e o Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz parte do Projeto Capes/Cofecub (2024-2027) entre o Centre Léon Robin e a UFRJ. É uma das Editoras da Revista Tapuia lançada em 2022 e que aborda temas anticoloniais e antiracistas. Pertence ao Corpo Editorial da Revista Anais de Filosofia Clássica (Laboratório OUSIA/UFRJ), da Revista Ítaca (UFRJ), da Revista Ekstasis (UERJ) e da Revista Prometeus (UFS). É membro do Corpo editorial da Editora Hexis. Tem experiência na área de Filosofia, sobretudo Filosofia Antiga, com ênfase em Pré-socráticos e Platão. Atualmente estuda Filosofia política na Antiguidade e na Contemporaneidade. Tem feito interface com a Antropologia, a Sociologia numa perspectiva anticolonial, voltando-se para o questionamento da possibilidade e/ou realidade de um pensamento propriamete brasileiro, que leve em conta a especificidade da constituição histórica de nossa sociedade.

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