Paradigma Constitucional e alma ingênita nas Leis de Platão
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Pretendo neste artigo analisar o estatuto ontológico e ético da alma nas Leis a fim de demonstrar sua proeminência, como a sede das virtudes cardinais, para a constituição dos decretos legais da cidade. Divido a discussão em duas seções: na primeira examinarei se Platão abandonou nas Leis a teoria tripartite da alma, descrita previamente em República IV. Meu propósito é explicitar a coexistência de diversas perspectivas epistemológicas no corpus platônico, à medida que Platão as emprega para examinar seu assunto específico em determinado diálogo. Na seção subsequente tentarei escrutinar se Platão retoma em Leis a noção de princípio ingênito na mesma acepção como empregou previamente no Fedro, evidenciando, destarte, as semelhanças entre as concepções platônicas de alma descritas em diferentes períodos de seu corpus, rejeitando a tese que defende uma alteração substancial de sua psicologia moral nos diálogos finais. Nessas seções referentes (i) à discussão sobre a existência ou não da teoria tripartite no livro I e, portanto, (ii) à exposição da alma ingênita no livro X, visarei examinar a coexistência de diferentes perspectivas da alma nas Leis.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Nota de Direitos Autorais
O autor do artigo ou resenha submetido e aprovado para publicação autoriza os editores a reproduzi-lo e publicá-lo na a revista O que nos faz pensar, entendendo-se os termos "reprodução" e "publicação" conforme a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. O artigo ou resenha poderá ser acessado tanto pela rede mundial de computadores (WWW – Internet), como pela versão impressa, sendo permitidas, a título gratuito, a consulta e a reprodução do texto para uso próprio de quem a consulta. Essa autorização de publicação não tem limitação de tempo, ficando os editores da revista O que nos faz pensar responsável pela manutenção da identificação do autor do artigo.
Referências
ANNAS, J. Virtue and law in Plato. IN: BOBONICH, C. (ed.). Plato’s Laws, A Critical Guide. Cambridge: Cambridge University Press, 2010, pp. 71- 91.
BOBONICH, C. Plato’s Utopia Recast, His Later Ethics and Politics. Oxford: Oxford University Press, 2002.
BRISSON, L. Soul and State in Plato’s Laws. In: BARNEY, R.; BRENNAN, T.; BRITTAIN, C. Plato and the Divided Self. Cambridge: Cambridge University Press, 2012, pp. 281- 307.
BURNET, J. Platonis Opera. Oxford, Oxford University Press, 1903.
CARONE, G. R. Plato’s Cosmology and Its Ethical Dimension. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
DORION, L. A. Plato and the Enkrateia. In: BOBONICH, C. & DESTRÉE, P. (ed.) Akrasia in Greek Philosophy, From Socrates to Plotinus. Leiden: Brill, 2007, pp. 119- 138.
GERSON, L. P. Akrasia and the divided Soul in Plato’s Laws. In: SCOLNICOV, S. and BRISSON, L. Plato’s Laws: From Theory into Practice. Sankt Augustin: Academia Verlag, 2003, pp. 149-154.
HOBBS, A. Plato and the Hero, Courage, Manliness and the Impersonal Good. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
KAMTEKAR, R. Psychology and the inculcation of virtue in Plato’s Laws. In: BOBONICH, C. (ed.). Plato’s Laws, A Critical Guide. Cambridge: Cambridge University Press, 2010, pp. 127- 148.
KAHN, C. On the philosophical autonomy of a platonic dialogue: the case of recollection. In: ANN. A. N. M. (ed.). Plato as author, The Rhetoric of Philosophy. Leiden-Boston: Brill, 2003, pp. 299-312.
KAHN, C. “From Republic to Plato’s Laws, A Discussion of Christopher Bobonich, Plato’s Utopia Recast”. Oxford Studies in Ancient Philosophy, v. 26, pp. 337-362, 2004.
KAHN, C. The philosophical importance of the dialogue form of Plato. In: FINK, J. L. (ed.). The development of dialectic from Plato to Aristotle. Cambridge University Press, 2012, pp. 158-173.
LAKS, A. Plato´s Second Republic, An Essay on the Laws. Princeton: Princeton University Press, 2022.
MAYHEW, R. Plato, Laws 10. Translated with an Introduction and Commentary. Oxford: Oxford University Press, 2010.
MATTÉI, J. F. Platon et le miroir du mythe, de l’âge d’or à l’Atlantide. Paris: PUF, 1996.
MORGAN, K. Myth and Philosophy, From the Presocratics to Plato. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
MORGAN, K. Inspiration, recollection and mimesis in Plato’s Phaedrus. In: NIGHTINGALE, A. & SEDLEY, D. Ancient Models of Mind, Studies in Human and Divine Rationality. Cambridge: Cambridge University Press, 2010, pp. 45- 63.
PLATÃO. Filebo. Tradução e introdução e notas de Fernando Muniz. Rio de Janeiro, SP: Ed. PUC-Rio; Edições Loyola, 2015.
PLATÃO. Mênon. Tradução, introdução e notas de Maura Iglésias. Rio de Janeiro, SP: Ed. PUC-Rio; Ed. Loyola, 2001.
PLATÃO. Protágoras. Tradução, introdução e notas de Daniel Rossi Nunes. SP: Editora Perspectiva, 2020.
PLATÃO. O Banquete. Tradução, introdução e notas de Irley Franco e JAA Torrano. Rio de Janeiro, SP: ed. PUC-RIO; ed. Loyola, 2021.
PLATÃO. Teeteto. Tradução, apresentação e notas de Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro, SP: Ed. PUC-Rio; Ed. Loyola, 2020.
RACHID, Rodolfo. Reminiscência e alma remêmora no Fédon de Platão. Revista TRANS/FORM/AÇÃO. v. 44 n. 4. Outubro- Dezembro, Marília, pp. 327-348, 2021.
RENAUT, O. Platon, La Médiation des Émotions, L’education du thymos dans les dialogues. Paris: Jean Vrin, 2014.
TORRANO, J. Sófocles. As Traquínias. Tragédias Completas. II. São Paulo: Ateliê Editoral; Editora Mnêma, 2022.
WERNER, D. S. Myth and Philosophy in Plato’s Phaedrus. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.
ZINGANO, M. Estudos de Ética Antiga. São Paulo: Paulus & Discurso Editorial, 2. ed, 2007.