Pudor e pedagogia total nas Leis de Platão

Conteúdo do artigo principal

Francisco de Moraes

Resumo

No presente artigo, pretendo mostrar que o pudor pode ser compreendido como o fundamento da pedagogia total nas Leis de Platão. Por pedagogia total, entendo o cuidado minucioso com a regulação da vida em todos os seus pormenores, a fim de tornar as leis persuasivas e não simplesmente punitivas. Para avaliar a essência do projeto político platônico, neste que se considera ser seu último diálogo escrito, recorro às críticas elaboradas por Aristóteles no livro II da Política. Tal como Aristóteles, enxergo uma forte continuidade entre as teses desenvolvidas na República e o projeto político de uma cidade virtuosa nas Leis. Tornar a virtude da temperança a virtude basal a ser promovida e criar a maior unidade possível da cidade por meio de um cantar e dançar em uníssono seriam os antídotos para o maior mal que pode acometer a vida política: a stásis. Ao mesmo tempo, irradiando o modo de vida virtuoso, centrado na razão, e honrando a alma, as leis assegurariam a felicidade de toda a cidade. A que preço?

Detalhes do artigo

Seção
Artigos
Biografia do Autor

Francisco de Moraes, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Francisco Moraes doutorou-se em filosofia com a tese "O problema do noûs em Aristóteles" no PPGF da UFRJ no ano de 2006. Atualmente é professor associado de filosofia na UFRRJ, membro permanente do Programa de Pós-graduação em filosofia da UFRRJ (PPGFIL) e membro colaborador do Programa de Pós-graduação em filosofia da UFRJ (PPGF). É líder do grupo de pesquisa Stásis, da UFRRJ. Coordena atualmente, juntamente com professores e orientandos de pós-doutorado, doutorado e de mestrado os projetos de pesquisa "Vida humana e racionalidade prática no horizonte da filosofia aristotélica" e "A PHSIS enquanto ser em Aristóteles". Publicou artigos, livros e capítulos de livro, a maior parte na área de Filosofia Antiga. Orientou e orienta trabalhos de conclusão de curso, Iniciação científica, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Traduziu as obras A vontade de poder e Introdução ao estudo dos diálogos de Platão, ambas de Friedrich Nietzsche. Tem organizado eventos internacionais, nacionais e regionais. Desde 2021 é coordenador do PPGFIL da UFRRJ, Programa que em 2024 completa 10 anos de existência e que acaba ter a APCN do curso de Doutorado em Filosofia aprovada pela Capes.

Referências

ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. São Paulo: Perspectiva, 2007.

ARISTOTE. La Politique. Tradução de Pierre Louis. Paris: Hermann, 1996.

ARISTÓTELES. Política. Tradução de Antônio Campelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes. Lisboa: Vega, 1997.

ARISTÓTELES. Ethica Nicomachea I 13 – III 8. Tratado da virtude moral. Tradução de Marco Zingano. São Paulo: Odysseus, 2008.

ARISTÓTELES. Ethica Nichomachea III 9 – IV 15. As virtudes morais. Tradução de Marco Zingano. São Paulo: Odysseus, 2020.

BRISSON, L.; PRADEAU, J.-F. As Leis de Platão. Tradução de Nicolás Nyimi Campanário. São Paulo: Loyola, 2012.

BURNYEAT, M. Aprender a ser bom segundo Aristóteles. In: ZINGANO, M. (org.). Sobre a Ética Nicomaqueia de Aristóteles. São Paulo: Odysseus, 2010, p. 155-182.

KONSTAN, D. The Emotions of the Ancient Greeks. Toronto: University of Toronto Press, 2007.

OGIEN, R. A ética da vergonha. In: NOVAES, A. (org.). Vida, vício, virtude. São Paulo: Edições SESC SP; Editora SENAC SP, 2009, p. 285-308.

PLATÃO. Leis e Epínomis. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 1980.

PLATÃO. Protágoras. Tradução de Daniel R. N. Lopes. São Paulo: Perspectiva, 2017.

PLATÃO. A República. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2000.

PLATÓN. Leyes (libros I-VI). Tradução de Francisco Lisi. Madrid: Gredos, 1999.

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Tradução de Raul M. R. Fernandes e M. Gabriela P. Granwehr. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013.