Musas cruéis: Esfinges, Siris e Alexas ou como capturar a voz de uma mulher
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Resumo
O artigo explora questões de linguagem a partir de pensadores contemporâneos responsáveis por dialogar criticamente com a teoria da linguagem de Aristóteles, herança falologocêntrica de vasta influência na cultura ocidental. Ao apresentar estas leituras, proponho que a alienação das mulheres da cena filosófica e política, que comparece na obra do filósofo grego, diz respeito às visões distorcidas do patriarcado a respeito da discursividade feminina, repercutindo, nesse sentido, em diversas representações da voz das mulheres enquanto inadequada e/ou desprovida de sentido. Pretendo defender a hipótese de que este discurso sequestrado retorna como incorpóreo e maquínico na performance de gênero das chamadas assistentes pessoais digitais, com suas vozes programadas e domesticadas. O texto ainda analisa dois trabalhos no âmbito da arte contemporânea, o robô Orlnöide, a versão IA da artista ORLAN, e a palestra-performance “001001100111 sim, senhor!”, de Carolina Nóbrega.
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